Hiroshima Mon Amour

Home…Home! I just want to go…Home.

Julho 4, 2008 · Deixe um Comentário

 A Confusão nunca mais pára, caminha-se em frio gélido no coração, o pânico faz andar ás voltas, quero ir para essa terra onde ando ao Deus dará, casa para casa, para onde eu quero ir, para casa…ando deslocada.

Preciso de uma bussola e rebuçados, para a viagem, tremo dos joelhos e agarro na escova de dentes, agarro a mala com força, a confusão nunca pára, e no nosso frio peitoral que dá a sensação de ser a solitária que só quer é fugir…eu só quero fugir, casa eu só quero ir para casa, onde nada lhe compara, Terra Do Nunca, País das Maravilhas, eu quero só quero voltar, aqui, sou a parte da cura…sou a parte da doença, leva-me deste encalço, leva-me desta janela, lança-me pózinhos mágicos que me façam adormecer e subir, ja descansei, não é justo agora só quero voltar para casa ,escrevo, porque não tenho quem me ouça, aperto bem as mãos e fecho os olhos com força, home home were i want to go…

Não quero mais este mundo e esta jornada, é cinzento e cheira a maldoso, as gentes vestem-no de preto para esconder o que têm de melhor, tenho sede de cabanas nas arvores, de limonadas e gelados de chocolate, de  pequenas feridas no joelho a escorrer betadine de árvores frondosas e maceiras que se colhem maçãs á dentada.

Os brinquedos seja de plástico ou peludos falam, e dançam, amigos imaginários com cabelos verdes que brincam conosco quando tentamos esquecer o que não era para ver, monstros amarelos com manchas pretas debaixo da cama, o enorme Monstro que era o escuro, seres estranhos que espreitam por detrás das portas contam-nos segredos e enviam-nos sinais combinados, pão com marmelada, pão com doce de tomate, pão com manteiga salgada, pão com margarina, leite com cinco colheres de chocolate, apanhar gafanhotos, puxar o rabo ao gato, correr atrás dos cães, soltar os canários das malditas gaiolas, apanhar borboletas,  andar por tuneis com água dos ribeiros, falar á noite aos segredinhos no quarto para a avó não ouvir, abafar as gargalhadas com o lençol, fugir á noite da cama e ir para o sótão iluminados só com uma vela, descobrir as roupas brilhantes e douradas vindas de londres e da índia, vestir as máscaras antigas do carnaval lá guardadas, jogar ao dóminó poeirento, espalhar o caixote dos brinquedos antigos, pôr o batôm bordeaux da tia carmo, guardado na caixa da maquilhagem, apanhar rãs no ribeiro e levá-las para casa, existiam tartarugas dentro do poço que tentava-mos caçar, brincar na areia com os carros já sem rodas, pintar o cabelo com marcadores, pintar as unhas com marcadores, roubar os bombons da avó Maria que estavam em cima do armário, ficar a tremer com o castigo, pimenta na língua, fotografias contra o sol, móveis da casa de banho ao contrário, cemitério de formigas, apanhar caranguejos, viagens para o infinito num carro que parecia o circo, o vento, o sol bater na cara com a janela do carro aberto, baratas metidas dentro de garrafões, uma cadela chamada Diana,uma cadela chamada Cigana, um cão chamado Pinoca, carrinhos de corrida feitos com rodas de triciculos, desenhos animados do Natal,correr correr correr, volta, volta.

A confusão aqui nunca mais pára, e nada a ti se compara, Terra Do Nunca, volta, não quero mais férias, aqui não me sei comportar, só sei andar depressa para fugir da rotina, ganhei ódios de estimação e até eu estou tentada a tornar-me numa coisa com mau fundo, a revolta enche-me o peito, e ando a conhecer o sarcasmo, o tacanho e a sacanagem.

Fico á espera nesta janela País, Casa, volta para mim, aqui a confusão nunca mais pára, quero parar de ficar confusa e com caixas de velocidades estonteantes. Leva-me aí para cima, leva-me para casa. Quero ir Voando para casa…

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